Home Data de criação : 08/01/10 Última atualização : 11/10/17 15:18 / 20 Artigos publicados

EVA  escrito em segunda 23 novembro 2009 17:57

Blog de agamenontroyan :Fanzine Episódio Cultural, EVA
Hoje as circunstâncias nos separaram Mas a cada instante meu coração pulsa Cada vez mais; louco, desenfreado. Numa arritmia sem fim. O sangue percorre em minhas veias Como se tomasse vida própria. A sede do amor começa a me devorar A fome da paixão seca-me o poço da alma Grito o seu nome, mas estas tão distante Talvez a caminhar entre as flores Quiçá a percorrer uma estrada tão longa; Quero estar contigo Para dividir alegrias e tristezas. Controlo-me ao lembrar de seus beijos Mas me enlouqueço com a sua ausência. Olhos oriundos do nada te observam Tenho ciúmes e não quero dividi-la Te quero por inteira Sorrindo... Me abraçando, ...Me amando. *Agamenon Troyan é poeta
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CHE GUEVARA (POEMA)  escrito em sexta 20 novembro 2009 23:31

CHE GUEVARA

 

O látego do carrasco

Deixou a mostra as veias abertas

De uma América sem líderes,

Cheia de ditadores patéticos

E de déspotas obtusos,

Promíscuos em suas salas de mármore.

 

Há os que iludem com discursos

E os que mentem sem palavras –

Apoderam-se de mecanismos de tortura

Para espalhar o pânico e o terror.

 A América se ergue com a sua mão direita

Que, ensangüentada, deixa-se extinguir,

Cambaleante cai sobre a perna esquerda,

Em repetidos golpes...

 O guerrilheiro está morto!

Seu idealismo se tornou sonho,

O sonho transcreveu sua lenda,

A lenda transformou-se em eternidade.

 A América de Guevara se perpetua,

Em sua eterna busca

Pelos verdadeiros líderes,

Por sua total e plena liberdade.

 *Agamenon Troyan

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EM DEFESA DO USO DA PALAVRA "POETISA"  escrito em sexta 20 novembro 2009 23:08

EM DEFESA DO USO DA PALAVRA “POETISA”*

 

Jussara Neves Rezende**

 

                Há alguns anos publiquei um artigo intitulado “Poeta ou poetisa?” [1], no qual defendia o uso do vocábulo “poeta” para designar a mulher que escreve versos. Naquela ocasião, preocupava-me o sentido meio pejorativo que, ao longo dos anos, impregnou a palavra poetisa. Como eram os homens os únicos a terem acesso à educação, as mulheres geralmente não escreviam nada. Sabe-se que as primeiras escolas voltadas à educação feminina preocupavam-se em ensinar prendas domésticas e as únicas leituras que incentivavam eram a da Bíblia, dos livros de culinária e de romances água-com-açúcar – obras bem diferentes dos textos filosóficos, históricos e científicos com que os rapazes se educavam. Assim sendo, como esperar que os textos produzidos por mulheres fugissem do óbvio, do lugar comum, do sentimentalismo? Apresentados nos saraus lítero-músicais de fins do século XIX, acompanhados de torradas e chá, os poemas das primeiras escritoras serviram muitas vezes como motivo de riso aos homens presentes, que passaram a associar o feminino da palavra poeta a essa produção literária de baixa qualidade. Como, então, diante de uma escritora que poetou com enorme fôlego, como Cecília Meireles, por exemplo, empregar a palavra poetisa?

            Percebem? Era esta a dúvida que me moveu a escrever o texto a que acima me referi. Servi-me, na ocasião, do nome de Otto Maria Carpeaux para validar o que eu dizia. Em um artigo de 1964 ele chamara de “burrice” o uso do feminino da palavra poeta, afirmando que os poetas não têm diferença de sexo, pois a diferença existe apenas entre os que sabem ou não sabem fazer versos. “Cecília Meireles”, observou Carpeaux, “não é poetisa. É poeta.”. Pareceu-me, então, que a própria Cecília concordava com o crítico, pois no seu antológico poema, “Motivo”, chega a afirmar: “Não sou alegre, nem sou triste:/ sou poeta”. Estes versos de Cecília se tornaram, portanto, no referido artigo, outro suporte à minha argumentação.

            Passou o tempo, no entanto, e outras leituras e reflexões foram modificando meu modo de pensar e exigindo um novo texto que contestasse o primeiro, o que me traz aqui.

            Não deixei de concordar com Carpeaux quando afirma que “poesia é feita por poetas e por mais ninguém”.  Ao contrário, concordo especialmente com ele quando diz que quem não sabe fazer poesia “não merece o nome de poeta mesmo que tenha escrito cem volumes de versos”. Bravo, Carpeaux! Há muita coisa sendo escrita que não merece o nome de poesia, nem seus autores o de poetas, mas este já é outro assunto.

            Sobre a evolução do meu pensamento entre o artigo anterior e este, devo dizer que não incluiu, também, a recusa à voz que canta nos versos de Cecília e se afirma poeta. Continuo a concordar com ela. Ocorre que percebi que tanto a afirmação de Carpeaux quanto a do poema de Cecília referem-se ao criador de poesia como ser universal, independente do seu sexo. Neste sentido, sim, para universalizar o ser poeta, continuo acreditando no uso da palavra no masculino. No entanto, não posso mais concordar que seja “burrice” o emprego da palavra poetisa, mesmo considerando que com o passar do tempo seu sentido original foi sendo modificado ao incorporar as contribuições dos ambientes nos quais a palavra foi sendo utilizada, mesmo que hoje o vocábulo poeta tenha se tornado um substantivo comum-de-dois-gêneros e possa, sem erro, ser empregado tanto para se referir aos homens quanto às mulheres escritoras de versos.

            Não só na língua portuguesa o termo poeta tem um equivalente feminino. O mesmo se dá em todas as línguas, já a partir do grego. Qual a razão para não empregá-lo? A necessidade de enfatizar a universalidade do ser poeta ou da poesia? Que neste sentido se utilize, então, a palavra poeta. Não posso aceitar, entretanto, que essa necessidade nasça do mito de que é preciso mudar a designação de poetisa para a de poeta como se o simples fato de chamar uma mulher de “poeta” melhorasse os seus poemas, atitude no mínimo “machista”, como afirma Gilberto Mendonça Teles.

            Para dizer da força poética da portuguesa Florbela Espanca e, assim, distanciá-la das outras, as “poetisas da colméia”, Antônio Ferro a promoveu, num ensaio, à categoria de “poetisa-poeta”. Não posso concordar com uma “homenagem” que, para dizer da grandeza poética de uma mulher – cujos versos enfatizam sua condição feminina – precisa empregar uma palavra masculina. Sobre esse episódio e tendo em vista o caráter extremamente feminino da poética de Florbela, Natália Correia afirmou que “a homenagem que distingue o gênio poético feminino com o prêmio de lhe masculinar o estro ultraja uma poesia que quer feminizar o mundo”. Concordo hoje com ela. Parece-me, agora, mais correto afirmar que Cecília Meireles e Florbela Espanca – para citar apenas duas escritoras, já que bem longe vai o tempo em que as mulheres não escreviam – são duas grandes poetisas de nossa língua.

*Jussara Neves Rezende é Doutora em Literatura

                                                                                                                     



* Artigo originalmente publicado no Informativo CESEP, ano IV, nº 38, 29 fev. 2008, p. 08.

** Doutora em Letras pela USP, poetisa e crítica literária.

[1] Folha Machadense, 25 out. 1997.

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O MESTRE-SALA DAS GERAIS  escrito em terça 21 abril 2009 17:57

Blog de agamenontroyan :Fanzine Episódio Cultural, O MESTRE-SALA DAS GERAIS

O MESTRE SALAS DAS GERAIS


Josué de Souza nasceu em Machado, em 1945. Filho de Vítor Cornélio de Souza e Maria José de Souza. Entrou para o samba durante um teste na Voz do Morro, no prédio da Liga Operária. Mas não foi aprovado. Frustrado ele caminhou até a primeira fábrica de condensadores do Brasil (a Luama), onde viu um bloco de samba que era mantido pelo Sr. Antônio Romanelli, um dos diretores. Josué convenceu um dos líderes a mudar o nome para Acadêmicos do Samba da Luama – nome, aliás, que já havia sido sugerido pelo seu irmão, cujo apelido era “Massa Fina”.

Outro diretor não queria que empresa tivesse algum vínculo com o samba.Por isso o bloco, que nesta altura já ensaiava na Rua Caldas, ficou apenas como Acadêmicos do Samba. Nos anos sessenta o que era bloco se tornou a maior escola de samba de Machado, conquistando vários campeonatos. Josué também se destacou como compositor. É dele o primeiro samba-enredo da escola (O Descobrimento do Brasil), com o qual foi campeão. Ao longo dos anos, ele e Cidinha formariam o casal de mestre sala e porta-bandeira mais famosos de Machado
Aos 25 anos e com uma carta de recomendação do então prefeito Francisco Vieira Guerra (Chicão), Josué partiu para São Paulo, capital para tentar uma vaga de “desenhista rápido” na antiga TV Tupi. Mas o dinheiro acabou no meio do caminho obrigando-o a ficar em Campinas. O que tinha no bolso deu apenas para pagar uma estada numa pensão.

Josué caminhava perto do Viaduto Cury (local barra pesada) quando foi enquadrado pela polícia. Na delegacia, enquanto aguardava ser interrogado foi reconhecido pelo sargento Romeu Monteiro – casado com uma machadense que o livrou. Foi aconselhado por este a não mais andar por ali. Este sargento arranjou–lhe uma vaga na Guarda Civil. Mudou–se para uma pensão localizada no Bairro do Castelo. Foi lá que conheceu sua futura esposa, Iracema, filha de Dona Nélia, cozinheira da pensão. Com o auxílio de duas assistentes sociais – suas madrinhas – eles se casaram.
 

Semanas depois, participou de uma batida numa zona de meretrício. Todos eles foram recebidos à bala. Na ocasião, o sargento que liderava a batida morreu baleado. Josué desistiu no dia seguinte. Em casa as dificuldades eram muitas, mas sua esposa o encorajava a nunca desistir. Conseguiu um emprego de carregador de dormentes de trem. Nesse ínterim a Prefeitura precisava de funcionários. Maia uma vez recebeu grande ajuda das Assistentes Sociais. Josué passou a trabalhar em serviço de montagem de barracos, serviço de segurança (aprendeu Judô e karatê). Depois passou a fiscal de favelas e fiscal de aberturas de firmas, aposentando-se anos depois. Josué era bem assessorado por sua equipe.

Juntos conseguiram levar mais condições: infra-estrutura, educação, esporte e saúde para as favelas,  tornando-as um lugar onde cada morador se sinta parte integrante. O samba sempre esteve presente na vida de Josué. Em Campinas ele fundou as escolas: Moleque Travesso, Grêmio Recreativo do Samba da Ponte Preta, Princesa de Madureira e a Grêmio Recreativo Escola de Samba Santa Luíza. Segundo uma pesquisa da Liga de Escola de Samba de São Paulo, Josué e Iracema são considerados o casal de mestre sala e porta bandeira mais antigo ainda na ativa. “Aquilo que já está escrito por Deus não encontra obstáculos”, disse
 

Contato: Josué de Souza. (19) 3223-1004. Campinas-MG.

 

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ROBSON LEAL (NAS ASAS DA ESPERANCA)  escrito em terça 21 abril 2009 17:53

Blog de agamenontroyan :Fanzine Episódio Cultural, ROBSON LEAL (NAS ASAS DA ESPERANCA)

NAS ASAS DA ESPERANÇA
&
A UM PASSO DA FAMA

 

 

“Pego carona nas asas da esperança e renasço a cada minuto. Sempre com fome e sede de viver”. Assim começa o livro “Nas asas da esperança” de Robson Leal Pereira um humilde lavrador nascido no bairro Bom Jesus, em Machado (sul de Minas), em 1977. Tendo como fonte de inspiração uma frase, uma palavra e, principalmente a MPB (Música Popular Brasileira), Robson começa a escrever (dar vida) aos seus primeiros poemas. 

Após mostrá-los ao Prof. Clêuton Pereira Gonçalves e receber do mesmo palavras de encorajamento, Robson partiu em busca de um sonho: publicar o seu primeiro livro. Graças ao dinheiro do seu suor (na colheita do café), e de alguns patrocinadores machadenses, Robson finalmente pode realizar o seu sonho. No dia 20 de dezembro de 2006, na Biblioteca Municipal de Machado, ocorreu o lançamento do seu livro, organizado pela Prof.ª Carmem. Foi homenageado pelos professores Rosa Maria Ferreira e Clêuton P. Gonçalves.

O cerimonial foi comando por Juliano Paes. Um dos momentos mais emocionantes foi a presença da Companhia de Reis do Jamil, da qual Robson faz parte representando o “Bastião”. Junto com Juliano Paes, Robson vem escrevendo, dirigindo e atuando no palco sagrado do teatro. Em 2003 atuou em “A aparição de N. S. de Aparecida”, uma peça realizada próxima ao Lago Artificial de Machado, durante o jubileu do Cônego Walter M. Pulcinelli.

Em 2004, na cidade de Alfenas, eles apresentaram a peça “Calote em alto estilo”, contando as peripécias de um sujeito que se finge de morto para não pagar suas dívidas. O problema é que, inesperadamente, todas as pessoas as quais ele deve comparecem em seu velório... Em Machado, no mesmo ano, eles encenam a peça “A um passo da fama”, uma comédia sobre dois caipiras que querem ficar famosos na cidade grande. Tudo acontece em um ponto de ônibus, arrancando gargalhadas incontroláveis dos espectadores. A peça foi reapresentada em dezembro de 2006 no teatro do colégio Iracema Rodrigues (Machado-MG).

No elenco estavam: Janaína Freire (hoje substituída por Cassiana Cordignole), Rafael do Lago, Prof. João Marcos (substituído por Douglas Soares), Juliano Paes, Robson Leal Pereira e sonoplastia de Ilzenir Serafini. Ainda este ano a peça será apresentada em Campestre-MG. Contatos: Robson (35)  9915-4880 e Juliano Paes (35) 9901-5005.

“Você é do tamanho do seu poema” (Prof. José Vilela)

“Se a poesia existe nos fatos, o fato de se fazer poesia já é poético”
(Prof.ª Olga Caixeta)

“Minha poesia é o luar. É a vontade de subir ao céu e derramar uma chuva de paz”
(Robson Leal Pereira)

 

 

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